quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Por que?



Adoro perguntar. Odeio responder. Explico: a pergunta liberta, abre possibilidades, vai fundo nas camadas internas da alma. A resposta fecha. É chata. Se apresenta e define, não deixa margem pra gente brincar. A pergunta é criança. A resposta é adulta, ranzinza. Quando pergunto meus olhos procuram no desconhecido alguma essência, como as mãos de um cego vão procurando no livro a maravilha da leitura.

Conta-se que um garoto perguntou ao seu mestre: "Qual é o sentido da vida?", e o mestre, sorrindo, disse: "Você não acha que essa é uma pergunta maravilhosa?". O garoto responde que sim. Então o mestre disse: "Por que, então, trocá-la por uma resposta?". Perguntas me chamam pra dançar no salão do que eu não sei, já as respostas não sabem dançar...

Quero expor algumas perguntas, apenas pelo puro prazer de provocar. Não vou responder - não quero - só quero pegar cada pergunta no colo e sorrir:

Por que a gente passa a vida inteira procurando saber o que é viver, e quando realmente aprende, tá na hora de morrer?

Por que a gente veste roupas especiais para as visitas (às vezes nem tão especiais assim...), e aquelas camisetas de eleição para os amados do lar?

Por que a gente começa a vida perguntando de tudo (quando criança) e termina achando que tem todas as respostas?

Perguntaram a um poeta: "Quando o senhor começou a fazer poesia?", ele disse: "A questão não é quando eu comecei, mas quando foi que você parou!"

Por que a gente esquece datas que nos fizeram realmente viver?

Por que a gente procura Deus na igreja?

Por que a gente briga com os amigos por coisas, quando o que interessa são eles enquanto pessoas?

Philip Yancey faz umas perguntas...

Por que a maioria dos livros teológicos mostra Deus como lógico, ordeiro, imutável e inefável, enquanto a Bíblia o retrata como emocional, flexível, vulnerável e, acima de tudo, apaixonado?

Por que os pecadores sentem tanta atração por Jesus e tanta repulsa pela igreja?

Perguntar não ofende, mas fende a muralha da mudez.

Até mais...

Alan Brizotti

Eu Corro para Ti - Paulo Cesar Baruk

Humor


Faça um favor a si mesmo: viva!



"Morra na hora certa". Friedrich Nietzsche (que morreu com dez anos de atraso)


Tenho tentado viver. Venho fazendo esse favor a mim mesmo. Tem sido bom. Há algumas coisas que amo e outras que odeio. Amo a liberdade e odeio regras e dogmas. Amo minha esposa, meu filho e meus livros. Detesto gente chata, fresca, "metida a besta". Amo gente simples, mestres da vida, gente que pode até não saber falar todos os idiomas, mas domina a linguagem acolhedora do amor. Amo e odeio, o nome disso é viver...

Viver vai muito além do que eu possa explicar, é uma espécie de ser-se assim como se é. Sem hipocrisias, interesses e ideias prontas. Sem tripudiar dores alheias. Shakespeare dizia que "zomba de cicatrizes aquele que nunca passou pela dor". Talvez isso tudo que estou escrevendo nada tenha em comum com a verdade da vida - é só uma tentativa de olhar no espelho dela.

Tô procurando encantos perdidos. A gente cresce e todo o resto diminui. Quero sentir o ar tocando meu rosto sem a preocupação com um provável resfriado. Se o tal resfriado chegar, legal, vou aproveitar um pouco mais a minha cama quente. Quero querer. Quero falar besteira (não quero ser um cara obrigado a só falar coisas incríveis, mas nunca ser visto como gente, apenas como um link de carne e osso). Quero dormir. Quero acordar. Quero ser...

Viva! Esqueça reuniões, cultos intermináveis, explicações metódicas pra tudo, chefes irritantes e gente cansativa. "Carpe Diem!" É bom saber que a vida é bela, pena que é curta. Não desperdice a vida. O lamento de T.S. Eliot ainda ecoa: "onde está a vida que nós perdemos vivendo?" Coisa chata é viver sem ter a certeza feliz de que isso é bom.

Vamos fazer um teste? Que tal aproveitar a vida com todas as forças? Tente. Uma semaninha apenas. Se der certo, parabéns! Se der errado, maravilha! Viver é exatamente essa corda bamba simplesmente imprevisível...

Como escreveu Epícuro: "Por que temer a morte? Enquanto somos, ela não existe. E quando ela passa a existir, nós deixamos de ser".

Até mais...

O túmulo está vazio!!!


"A Páscoa diz que você pode pôr a verdade em uma sepultura, mas ela não ficará lá". Clarence W. Hall
Um escritor do passado disse uma poderosa verdade: "A melhor notícia que o mundo já ouviu veio de um túmulo vazio"Ressurreição! Esse foi (e ainda é) o evento mais espetacular de todos os tempos. A notícia mais aguardada foi ouvida: "Ele vive!" Somente nas cartas de Paulo, há cerca de 53 referências à ressurreição. Ela é a grande certeza da igreja.
Um dos perigos da atualidade é a sutil desconstrução da ressurreição: num mundo sem encantos a tentação é a ideologia vazia de uma ressurreição sem fascínio, sem perplexidade. Cientificamente dissecada, espiritualmente negligenciada. É a tentativa satânica de ridicularizar o magistral.
O que mais me encanta na história da ressurreição é que, embora sendo extraordinária, operou no comum. Ela não foi um evento sufocante. Jesus não a utilizou como mecanismo de intimidação, marketing pessoal ou emocionalismo. Ele não fez chantagem celestial. Ele poderia ter dito: "esperem na porta do túmulo e vocês vão se arrepender por terem zombado de mim", mas não, ele não sujou o momento com sentimentos mesquinhos.
A ressurreição se deu na companhia de amigos que se conhecem pelo nome: "avise aos meus irmãos" (Mt. 28. 10). Não foi uma exibição impessoal feita diante de multidões extasiadas pelo miraculoso, foi vivenciada intensamente numa rede de contatos pessoais. Foi privilégio dos íntimos. O que me espanta ao ler os textos dos evangelhos tratando da ressurreição, é a coragem de algumas mulheres para irem ao túmulo adorar um Cristo morto!
A história da ressurreição não tem a predominância do masculino. Como numa tentativa de redimir Eva, essa história tem o charme e a sensibilidade feminina. Marcos e Lucas citam as mulheres comprando perfume para levar ao túmulo. Uma tentativa de lutar contra a realidade inflexível da morte. Sabiam elas que a morte apodrece... resolveram perfumar o caos. A ressurreição é a história de uma revolução do belo na cara feia da morte. Elas, que adoraram um Cristo morto, foram as primeiras a testemunharem de sua vida!
Elas foram ao túmulo cuidar de assuntos que envolviam a morte, mas foram surpreendidas e passaram a espalhar a noticia da vida! O texto revela nuances da natureza de Deus. Elas estavam preocupadas com a pedra e o trabalho que teriam para removê-la. Esqueceram-se de que Jesus revelou que "O Pai trabalha", que Deus é o único Deus trabalhador da história. Chegaram lá e o trabalho já estava feito!
Em João 20.15 vem a grande revelação: Maria chora, desesperada, ao ver o túmulo vazio. Seus pensamentos estão em confusão, lágrimas rolam abundantemente. Ela vê um homem andando pelo jardim do túmulo. O texto coloca o detalhe: "Ela pensou que ele fosse o jardineiro". Como é lindo isso! Ela estava certa! Ele era o jardineiro! Deus voltou para o jardim. Saiu do deserto: "voz do que clama no deserto" (Mc. 1.3). A ordem foi restaurada. O Éden tem sua cor. A redenção de Eva.
O túmulo está vazio! A igreja não chora a morte de Cristo como quem perdeu o horizonte da esperança, mas como quem sabe que aquela morte era nossa, mas Ele morreu por nós, portanto, agora temos o que celebrar...
Até mais...
Alan Brizotti

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tetelestai!



Meu pai faleceu em 2006, vítima de um câncer no fígado. Durante 13 anos pagou religiosamente em dia um determinado plano de saúde para que, quando viesse a precisar, pudesse usufruir de seus benefícios. Mas certo dia ele me ligou e, com voz cansada, disse: “filho, eu não estou bem, leve-me ao hospital”. Em alguns instantes estávamos diante de um diagnóstico desalentador: peritonite aguda, uma infecção generalizada no abdômen.

Quando meu pai estava entrando no elevador para subir para o quarto, o hospital impediu-o de subir, pois o plano de saúde havia negado a internação. Eu sabia que aquele era um caso de vida ou morte. Não tive dúvidas, levei-o ao hospital público mais próximo e internei-o para que pudesse ser atendido.

Paralelamente, entrei com um mandato de segurança para poder removê-lo de volta ao outro hospital ao qual ele tinha direito pelo plano. Foi uma luta imensa, mas lembro-me quando cheguei à enfermaria na qual ele estava com o despacho do juiz nas mãos para dizer-lhe, com lágrimas nos olhos: “está feito”.  

Em dias como o de hoje, fico imaginando o sofrimento de Jesus em seus últimos momentos. Mas também imagino o sofrimento do Pai, pois Ele sofria não só por aquele Filho dependurado entre o Céu e a Terra, mas por todos os outros pendurados nos madeiros da vida, crucificados pelas injustiças dos homens, trucidados pelo poder destrutivo do pecado, privados da luz pelas trevas, chicoteados pela miséria, pela dor, pelo abandono, coroados com coroas adornadas de espinhos de rejeição e de preconceito. 

Sim, naquela tarde sombria do Gólgota, um Deus agonizava na Terra e os outros dois agonizavam nos Céus. Mas após aquelas três horas de intenso sofrimento, a frase que ecoava desde a eternidade – pois “o Cordeiro foi sacrificado antes da criação do mundo” – materializou-se historicamente na voz frágil do Profeta de Nazaré: TETELESTAI! “Consumatum Est
”. Está Feito! Está Consumado!  

Tetelestai é uma palavra grega que era bastante utilizada nos dias de Jesus, pois estava presente em alguns fatos da vida cotidiana das pessoas. Outra peculiaridade, além desta, é que ela podia assumir mais de um significado, conforme a ocasião requeria.

Tetelestai era usada como expressão quando um artista ou escritor concluía a sua obra. Caio Fábio afirma que antes de Deus dizer “haja luz!”, Ele disse: “haja cruz!”. No derradeiro momento do calvário, Deus concluiu o plano de salvação escrito na eternidade, Ele terminou a obra que vinha “pintando” desde o paraíso, finalizou, finalmente, o “quadro”, e assim devolveu ao homem a chance de se reconciliar com Seu criador.

Tetelestai era utilizada também quando o servo terminava um trabalho e o comunicava ao seu Senhor. Jesus sempre foi categórico em dizer que não estava a serviço próprio, mas fazia apenas aquilo que era da vontade do Pai. Até na hora da morte, quando pediu: “se possível passa de Mim este cálice”, declarou resignado logo em seguida: “mas não se faça a minha vontade, mas a Tua”. Ele foi tentado em todas as coisas e em nada caiu, cumpriu a Lei, fez o que lhe foi requerido e, no tempo e na hora exatos, terminou o trabalho que lhe fora confiado.

Outra aplicação para Tetelestai, dita em seu correlato aramaico ou hebraico pelos sacerdotes do templo, era quando um animal era oferecido em sacrifício. Após um exame minucioso, não sendo achado qualquer defeito ou mácula, o sacerdote declarava: Tetelestai. Naquela cruz estava o cordeiro pascal – “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – sem mancha, sem mácula, sem defeito, pois, como ovelha muda, foi conduzido até os Seus tosquiadores, ofereceu-se em sacrifício uma vez por todas e, “por meio de Suas pisaduras nós fomos sarados”.

Finalmente, Tetelestai ainda significava o resgate final de uma dívida. Era um termo usado pelos mercadores para designar que o débito fora totalmente pago. Por isso o apóstolo Paulo afirma aos Colossenses: “Ele cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”,

Eu não sei se a data de hoje coincide com a sexta-feira da paixão. Isso para mim é totalmente irrelevante. O que me importa é que houve na história da humanidade uma sexta-feira em que o Filho de Deus esteve pendurado numa cruz, derramando Seu sangue para que o Pai pudesse perdoar aos homens os seus pecados e não imputar-lhes as suas transgressões. Por isso, neste dia de hoje, a coisa mais importante que eu posso lhe dizer neste artigo é: TETELESTAI! 

Carlos Moreira

Humor

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